TBG destaca conexão à malha de gasodutos e planejamento da expansão do transporte de gás para a segurança energética

O diretor Comercial da TBG, Edson Real, e Sébastien Lahouste, representante do grupo Fluxys e acionista da companhia, participaram do Belgalux Energia & Infraestrutura, realizado no Rio de Janeiro.

Publicado em 05/11/2026

A conexão dos terminais à malha de transporte de gás natural, a expansão da infraestrutura e os desafios regulatórios para o desenvolvimento do mercado brasileiro estiveram entre os principais temas debatidos no Belgalux Energia & Infraestrutura, realizado nesta quarta-feira (04), na Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ). O diretor Comercial da Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil (TBG), Edson Real, participou do painel “Segurança energética e expansão da infraestrutura de transporte de gás”, enquanto a Fluxys, acionista da companhia, foi representada por Sébastien Lahouste.

Ao abordar as oportunidades para o mercado de transporte de gás e sua contribuição para a segurança energética, Edson Real ressaltou a importância da integração dos terminais à malha de gasodutos, especialmente diante das perspectivas relacionadas ao Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCAP) como habilitador de novos investimentos. Segundo o diretor, a TBG transporta atualmente entre 16 e 18 milhões de metros cúbicos de gás por dia. Com o resultado do leilão, foram contratados entre 12 e 14 milhões em capacidade de saída para atendimento de termelétricas existentes e novas.

“O LRCAP não é apenas um importante indutor do crescimento da malha da indústria do gás, mas também uma oportunidade para ampliar a contratação de capacidade e fortalecer a contribuição da TBG para a segurança do sistema elétrico. Temos perspectiva agora de leilões mais estruturados e de uma forma regular que vão trazer condições para o crescimento da malha e a redução da tarifa”, destacou. Na segunda parte do painel, a discussão se concentrou nos aspectos regulatórios e na importância do planejamento da expansão da infraestrutura de transporte. Para Edson, é importante avançar na construção de um modelo de planejamento que ofereça maior direcionamento e previsibilidade ao setor.

“Uma das resoluções da ANP que temos discutido muito é o planejamento da expansão da malha. O mercado precisa de um programa de expansão da malha de gasodutos que determine os investimentos a serem realizados, ao invés de um plano indicativo ou sugestivo. Não temos um mercado maduro o suficiente para definir por si só esses investimentos, por isso é preciso que se pontue o caminho”, afirmou.

Representando a visão internacional da Fluxys, uma das operadoras de gás natural referência na Europa, Sébastien Lahouste abordou as transformações no mercado brasileiro, sobretudo a redução progressiva da oferta de gás boliviano, o crescimento da produção nacional que já representa grande parte do gás consumido no país e as possibilidades de importação de gás da Argentina. O executivo ressaltou que a atratividade desses investimentos depende de condições regulatórias e tarifárias adequadas, considerando os longos prazos de amortização do setor.

“Quando investimos em um país como o Brasil, enxergamos oportunidades importantes, mas riscos que também devem ser considerados. As condições tarifárias e regulatórias devem ser adequadas para viabilizar investimentos de longo prazo e permitir que a infraestrutura acompanhe a transformação do mercado”, afirmou Sébastien.

O Belgalux Energia & Infraestrutura, promovido pela Belgalux – Antena Rio de Janeiro em parceria com a Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ) contou com o apoio institucional do Consulado-Geral da Bélgica e reuniu cerca de 60 participantes, entre eles representantes das Câmaras de Comércio de Portugal e da França. A cônsul-geral da Bélgica em São Paulo, Valentine Mangez, abriu o encontro e destacou as relações comerciais entre a Europa e o Brasil.

“Há muitos interesses de relações construídas ao longo dos anos. A energia é o tema central da economia tanto no Brasil quanto na Europa e nós temos muita expertise para compartilhar”, declarou.

O painel teve mediação do professor Edmar de Almeida, pesquisador do Instituto de Energia da PUC-Rio; a participação de Ovídio Quintana, diretor comercial e de regulação da TAG, e de Roberto da Cunha, CEO da EnClim.

Além da discussão sobre o transporte de gás natural, a programação foi encerrada com o painel “Eólica, solar e reaproveitamento de ativos offshore”, reunindo Yuri Serruya, gerente de Negócios da Sarens, e Conrad Fonseca, líder de Energia da Tractebel.